Previdência: O que Eu Preciso Saber?

O principal objetivo da previdência privada é garantir a sua tranquilidade financeira na sua aposentadoria, pois é um investimento inteligente para o longo prazo. Existe a previdência social do governo, mas ela tem um teto – e isso significa que se você depender somente dela, pode não conseguir sustentar o padrão de vida que deseja.


No Brasil, sabe-se que as pessoas não se preparam de forma correta para a aposentadoria, tanto que 99% dos aposentados são dependentes financeiros (levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)); isso significa que os aposentados, usualmente, dependem de ajudas de familiares, amigos ou até mesmo, trabalham para conseguir se sustentarem.


Grande parte daqueles que querem ter uma aposentadoria tranquila não sabe quando começar a investir em uma previdência privada nem quanto devem aportar por mês. O brasileiro tem a cultura de deixar tudo para depois, o que acaba tornando-se um problema, pois o “depois” pode chegar a ser tarde demais (como foi mostrado no dado acima). Uma das vantagens deste tipo de aplicação é que ela pode ser debitada automaticamente da conta corrente, fazendo com que o aporte seja constante e o montante final considerável.


Para solucionar este problema, a melhor hora para começar é agora. E o quanto você deve aportar? É sugerido que seja de 5% a 10% da sua renda mensal, ou o que caiba no seu orçamento – lembrando que o investimento mínimo é de R$100,00 por mês. O importante é começar.


Para se ter uma noção, vamos exemplificar 3 pessoas diferentes: uma que comece a investir na previdência com 25 anos, outra com 30 anos e outra com 35 anos, todas se aposentando com 65 anos. Consideraremos um aporte mensal de R$500,00 e uma previdência que tenha uma média de rentabilidade real de 4% ao ano.


Pessoa 1

25 anos – R$0,00

45 anos – R$176.442,66

65 anos – R$492.084,11


Pessoa 2

30 anos – R$0,00

45 anos – R$121.691,74

65 anos – R$388.740,98


Pessoa 3

35 anos – R$0,00

45 anos – R$75.369,59

65 anos – R$301.307,26


Ou seja, para essas condições, se você começar a investir com 25 anos, você vai ter acumulado 64% a mais do que se começar a investir com 35 anos. A diferença é impactante.


Agora, onde investir?


A previdência privada é um investimento exclusivo de seguradoras, mas os bancos também podem comercializá-la. O motivo é muito simples: os bancos têm seguradoras internas – o Banco do Brasil tem a BrasilPrev, o Bradesco tem a Bradesco Seguros, o Itaú tem a Itaú Seguros, etc.


A diferença entre bancos e seguradoras está ligada à dois fatores: à taxa de administração e à rentabilidade do fundo previdenciário. A taxa de administração usualmente é maior nos bancos, enquanto a rentabilidade dos fundos tende a ser menor. Contudo, deve-se montar uma previdência sempre em seguradoras, como Porto Seguro, Mapfre, Sulamérica, entre outras.


E para escolher a seguradora ideal, você deve analisar qual valor aportará por mês, pois dependendo do valor que você optar (R$100; R$500; R$1.500; etc), cada uma disponibilizará fundos previdenciários diferentes. Então, o correto é analisar quais fundos serão abertos em cada seguradora de acordo com o aporte e escolher qual é o melhor para você.


Taxas


Taxa de administração


A taxa de administração é a remuneração paga pela prestação de serviços de gestão, administração e aos demais agentes operacionais. Normalmente é expressa em percentual ao ano (% a.a) sobre o patrimônio do fundo, porém o efetivo pagamento ocorre mensalmente. Para efeito de débito, há uma provisão diária e assim o valor da cota publicado diariamente pelo gestor já está líquido de taxa de administração.


Taxa de carregamento


A taxa de carregamento, por sua vez, é a taxa que banca a infraestrutura do local onde está sendo feita a sua previdência. Ela é cobrada variando de 0% a 6%, então o ideal é que não haja taxa de carregamento, já que ela pode ser zero. Então, você tem de optar por uma destas três formas: entrada, saída e híbrida.


· Entrada: é cobrada na hora do aporte. Ex: se a taxa é 4% e o aporte é de R$100 mensais, serão destinados para a previdência apenas R$96.


· Saída: incide sobre o montante investido na hora do saque. Geralmente, após um determinado tempo (ou montante), essa taxa tende a ser zero – portanto é a melhor forma.


· Híbrida: é cobrada na entrada e na saída, então, não há o por que optar por essa forma.


É importante ressaltar a constância dos aportes. Para que seja acumulado um montante considerável que traga tranquilidade financeira no futuro, é necessária a persistência e a regularidade nos aportes todos os meses; isso também alimenta o espírito de investidor e garantir que todos os meses você estará guardando dinheiro.


O grande diferencial da previdência privada para outros investimentos de longo prazo é a forma de tributação. Enquanto em alguns investimentos você é tributado em até 15% sobre a rentabilidade no momento do saque, a previdência chega a ter uma alíquota de imposto de renda de 10%.


Existem dois tipos de tributação que podem ser escolhidos: a progressiva ou a regressiva.


TRIBUTAÇÃO PROGRESSIVA


A tributação progressiva, como o próprio nome sugere, progride de acordo com as faixas de renda mensais; sempre serão cobrados os 15% da alíquota de imposto de renda, porém pode ter um adicional de até 12,5% de acordo com a quantia. Considerando que será um grande montante, essa tributação alcançará o teto, que é 27,5% (15% + 12,5%).


TRIBUTAÇÃO REGRESSIVA


Esta, por sua vez, tende a diminuir o percentual cobrado com o passar do tempo. A tributação da previdência se inicia em 35% e, a cada dois anos, diminui 5% até chegar em 10% após 10 anos.


Dessa forma, as possibilidades de tributação ficam conforme a tabela a seguir:

Até 2 anos


35%

Até 4 anos


30%

Até 6 anos


25%

Até 8 anos


20%

Até 10 anos


15%

Mais de 10 anos


10%


Ex: Em um investimento que a rentabilidade tenha alcançado R$300.000,00, a tributação será de, no mínimo, R$45.000,00 quando for sacar; já na previdência, com o mesmo valor, você será tributado em apenas R$30.000,00 – ou seja, com a previdência você terá R$15.000,00 a mais na sua conta!


Fases da Previdência Privada


Para entendermos melhor como funciona esse tipo de investimento, dividimos ele em duas fases: fase de acúmulo e a fase de renda.


A primeira, como o próprio nome sugere, é a fase na qual acontece o acúmulo de capital e também a expansão dele, pois além do aporte mensal nós temos também a rentabilidade sobre o montante que está investido. A fase de renda, por sua vez, é a fase na qual o dinheiro é recebido – e esta se inicia logo após o término da fase anterior.


Uma questão interessante da previdência privada, é que os planos possuem garantias adicionais, que você pode optar por ter através do pagamento de uma taxa extra. São elas:


· Pecúlio por morte: se ocorrer o falecimento do beneficiário antes do período de renda, este receberá o montante acumulado até a data;


· Pensão por prazo certo: parecido com o caso anterior, porém o recebimento da aplicação total ocorrerá em parcelas;


· Pensão a filhos: caso ocorra o falecimento do beneficiário enquanto os filhos são menores de idade, os mesmos receberão uma pensão mensal até atingirem a maioridade;


· Pensão ao cônjuge: parecida com a opção anterior, porém apenas um beneficiário receberá (geralmente o cônjuge, ou o(a) companheiro(a)).


· Pensão por invalidez: se o beneficiário se tornar inválido durante a fase de acúmulo, ele passará a receber uma renda mensal, como uma espécie de “seguro” por invalidez.


Modalidades


Agora que já entendemos melhor o que é, para que serve, quando devemos fazer e como saber o quanto devemos investir mensalmente, é importante que saibamos quais são os tipos de previdência e qual a modalidade ideal para cada um de nós. Aqui, temos duas modalidades, e são elas a PGBL ou a VBGL.


VGBL


Essa modalidade é ideal para as pessoas que fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda, pois a aplicação não é dedutível do IR. Além disso, vale lembrar que a tributação, no saque, é feita apenas sobre a rentabilidade.


Exemplo: se foi aplicado R$1.000.000,00 durante a fase de acúmulo, e rentabilizou R$1.000.000,00, será tributado apenas o R$1.000.000,00 que rentabilizou.


PGBL


A PGBL, por sua vez, é ideal para quem faz declaração completa do IR, pois ele é dedutível em até 12% da base tributável do mesmo (ou seja, dentro do teto de 27,5% do imposto de renda, 12% pode ser destinado para a previdência privada, e 15,5% que são pagos em imposto, de fato). E nesta, também, a tributação é feita sobre o montante (o que foi aplicado + a rentabilidade).


Ex: se foi aplicado R$1.000.000,00 durante a fase de acúmulo, e rentabilizou R$1.000.000,00, serão tributados os R$2.000.000,00 – justamente pelo fato de que os 12% que eram para ser de IR, foram investidos na previdência; e então você ainda sai ganhando mesmo com a tributação sendo feita sobre o montante.


Saque


Na hora do saque, existem duas opções: ou você saca o montante e faz algum outro tipo de investimento (geralmente renda fixa, para te garantir uma renda passiva sem riscos – que é o melhor a se fazer), ou escolhe algum dos tipos de renda (que não são uma boa opção, nunca!), que são: renda temporária, renda vitalícia ou renda vitalícia reversível ao beneficiário.


· Renda temporária: você opta por receber uma pensão por um certo período, pré determinado. Contudo, quando você morrer o benefício acaba, mesmo que ainda haja saldo.


· Renda vitalícia: você opta por receber uma pensão mensal enquanto viver, ou seja, ao bater as botas o benefício acaba imediatamente, independente de haver ainda saldo ou não.


· Renda vitalícia reversível ao beneficiário: você opta por receber uma pensão mensal até falecer e, quando isso ocorrer, um percentual desse dinheiro é revertido a um beneficiário (que você indica no contrato) até o falecimento deste.


Liquidez


Na hora do saque, temos que nos atentar para um fator: em quanto tempo o dinheiro estará na nossa conta?


A liquidez é justamente isso: o tempo que demora para dinheiro cair na sua conta bancária a partir da data na qual o saque é solicitado; e varia de um fundo previdenciário para o outro, ou pode ter um “padrão” de uma corretora. Atualmente, a média é de 5 dias úteis (uma semana).


Formas de utilizar a previdência


Você pode fazer, também, uma previdência para os seus filhos, que se chama Previdência Crescer. Ela é feita desde a infância até a maioridade, e quando completar 18 anos o seu filho pode sacar para a finalidade que desejar. Para pagar a faculdade, comprar um carro, dar uma entrada em um apartamento, “começar” a vida financeira com reserva, são algumas das finalidades para as quais esse tipo de previdência é muito utilizada.


Outro ponto muito inteligente para utilizar a previdência privada, é como forma de planejamento sucessório. Como ela não entra em inventário, acaba sendo mais inteligente do que deixar em investimentos que serão tributados. Ou seja, caso o titular da previdência venha a falecer, o dinheiro vai diretamente para o(s) beneficiário(s).


Conclusão


Se você deseja ter tranquilidade na sua aposentadoria, comece a se planejar agora. Não perca mais tempo e comece a investir. A previdência privada é um dos investimentos mais utilizados e recomendados para fazê-lo alcançar esse objetivo.


Assim que for começar a investir em uma previdência privada, analise muito bem todos os fatores que envolvem a escolha do plano. Considere que este investimento não é um que vai ser sacado em 2 ou 3 anos – devem ser pelo menos 10 anos de investimento, com o objetivo de garantir tranquilidade para o resto da sua vida.


Agora, se você já investe em alguma previdência, analise se está no melhor plano de acordo com as variáveis que apresentamos no texto. O mais correto é buscar um especialista para auxiliá-lo.


O tempo é escasso, não volta atrás, e cada mês que passa é um mês perdido que poderia estar sendo usado para investir no seu futuro. Se podemos te dar um conselho, este é: não desperdice o tempo.

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